Eu admito, ok?! Eu admito!! Cansei de guardar isso dentro de mim. E daí que talvez eu seja uma pervertida sem remédio, ou uma viciada fora de controle? O meu vício só faz sofrer a mim mesma. Tara cada vez mais insatisfeita, nesses tempos de falta de dinheiro. Vontade que não passa, que nunca se satisfaz. Eu tento me saciar em público, de graça, sem chamar a atenção, mas tem sempre alguém que me pega no flagra. Eu faço cara de paisagem e aquele ar de que não tem nada acontecendo. Mas as mãos coçam de vontade de continuar fazendo o que eu estava fazendo, antes de ser invadida por olhares de desconhecidos. Não há mais privacidade nesse mundo, pff.
Sofro por não poder chegar ao ápice. Eu tento me enganar, aqui e ali, mas há sempre algo novo, algo que eu não conheço e quero muito possuir, provar e chamar de meu. As migalhas as quais me dou o luxo de adquirir só aumentam essa fome sem fim dentro de mim. O bolso se ressente, eu me ressinto. Tentativa pífia de satisfação que logo se desfaz. E não adianta insistir; a experiência, quando se repete, perde um pouco do gosto...
Cada vez que eu entro naquele templo de tentações, eu engulo em seco. Pretendendo fazer-me de forte. “Não há nada aqui de que eu PRECISE, é entrar e sair, rapidinho”. Nunca é rápido. Eu sempre me rendo aos encantos do lugar, aos seus apelos, expostos com tão pouco caso diante de mim. Me instigando. Me seduzindo. E quando dou por mim, estou mais uma vez cativa, sentindo aquele aroma embriagante penetrando nas narinas e ativando uma área muito particular em meu cérebro. Há diferenças de bouquet, claro, e os mais caros, os importados, são sempre melhores... Alguém devia descobrir como engarrafar esse odor. É o cheiro da felicidade. Ou ao menos é assim para mim...
Essa época do ano é a pior. Eles estão em todos os lugares, me provocando com um mundo de feitios e formatos. E preços, claro. Mas essa é a maneira mais pobre, digamos assim, de satisfação, embora às vezes compense. Um achado incrível no meio do lugar comum. Algo que vai me fazer feliz por algum tempo...
Muita gente não compreende. Dizem que existem outros meios de se chegar ao mesmo fim. Que é um desperdício, de maneira geral. Eu não concordo. Eu acho que é uma experiência única. Você tem que saborear o momento, apreciar cada detalhezinho. Sentir o peso e a consistência, amar aquele cheiro único e se entregar, se deixar levar. Só assim você começa a entender a fascinação absoluta que te domina.
Deus, eu amo LIVROS.
P.S.- Será que o meu papo de junkie enganou vcs ?! ^^ Infelizmente, é verdade... Sou viciada em papel, livros, e adooooro cheiro de livro novo. Especialmente se for impresso em papel couche!!
