There's a little black spot on the sun today
That's my soul up there
It's the same old thing as yesterday
That's my soul up there
There's a black hat caught in a high tree top
That's my soul up there
There's a flag pole rag and the wind won't stop
That's my soul up there
I have stood here before in the pouring rain
With the world turning circles running 'round my brain
I guess I'm always hoping that you'll end this reign
But it's my destiny to be the king of pain
The Police – King of Pain
Mais uma vez, a dor de cabeça é o tema. Pq cá estou eu, com dor de cabeça, de novo... A segunda desde que voltei de viagem. Tô começando a achar q é alergia à minha casa (ou, mais especificamente, a alguns membros da família). Ainda bem que não é daquelas que pede um quarto escuro e silêncio... É mais aquele desconforto aborrecido no fundo da testa. Talvez eu não esteja dormindo tão bem qto deveria.
Enfim, estou devidamente empilulada. Pq eu amo pílulas e detesto sentir dor. “Todo mundo detesta sentir dor”, vc pensa. Bah, ledo engano. Conheço um bocado de gente que detesta remédios e prefere enfrentar estoicamente a dor, na mais alucinada crença de que aquilo vai passar. Claro que eventualmente passa mesmo, mas não sem piorar bastante antes. E eu não tenho estômago/paciência/saco de esperar que isso aconteça. Prefiro apelar mesmo pro velho e bom analgésico. Sou fraca... Blame me. Mas antes de ser um vício particular, é um gesto altruísta. Faço isso pelo bem da comunidade....
O grande problema é que, quando o meu cérebro registra dor de algum tipo, milhares de anos de desenvolvimento social e civilização simplesmente são trancados em algum lugar, dando lugar a uma selvagem mulher das cavernas que só rosna monossílabos e que queria mto se livrar da dor que sente – quebrando coisas, pessoas ou a própria cabeça. Qualquer coisa do gênero. “MIM ESMAGA!!”, no melhor gênero Hulk clássico, sabe? Eu não sou naturalmente a pessoa mais “up” do mundo (apesar do que dizem...) e sentindo dor, então, nem se fala. Nessas horas eu queria pendurar uma placa de “cuidado: cão feroz” no pescoço. Apenas distância e o abençoado silêncio... Apenas enquanto o remédio faz efeito. Por favor, por favor, por favor.
Claro que nada disso acontece, e com aquele timing que só as pessoas detestáveis têm, é nessa ocasião em que me pedem para fazer coisas chatas, verbalizam perguntas idiotas, observações cretinas são proferidas e aquela vontade insana de ser um personagem de desenho animado e puxar uma bazuca de dentro do bolso toma conta. Hora de respirar fundo, conter a língua e pensar q vc é praticamente uma lady e ladies não fazem esse tipo de coisa. E enquanto isso, o remedinho vai operando a sua mágica...
Comecei esse texto com essa pressão forte atrás da minha testa, mas agora... Está tudo bem, apesar das vozes continuarem me aborrecendo com coisas como fechar as janelas e guardar a roupa limpa... Elas soam tão distantes. Talvez seja o remédio. Talvez eu apenas esteja perdida no gozo da criação literária. Uma deliciosa combinação de ambos.
O que eu sei é que, agora, eu me sinto muito bem...