Ela aguarda, ansiosa. Mesmo sabendo que é claro como a luz da sala, brilhando sobre a sua cabeça, que ele virá. Ele praticamente mora ali, ora essa, para onde iria senão para sua casa?! Mas os fatos não a impedem de sentir-se ansiosa como na primeira vez q ela abriu a porta para ele.
Mais uma vez, ela usa o espelho da sala para conferir seu visual. Estava... Normal. Maquiagem leve, cabelos caindo soltos pelos ombros, umas gotas do seu perfume favorito (estava no fim e era tão caro e tão delicioso, o maldito). A roupa era bonita, sedosa, convidava ao toque mas não gritava “hey, hoje é nosso aniversário e acho bom vc se lembrar disso”!!. Esperança furada, homens NÃO pensam nesse tipo de coisa. Homens não lembram esse tipo de coisa. Ela tinha sorte quando ele lembrava de pagar a conta do provedor de internet!
Não não não... Não ia deixar a realidade interferir. Estava usando uma lingerie ousada e meio desconfortável sob a roupa. O tipo de coisa q vc veste para ser admirada e passar pouco tempo dentro dela, só o suficiente para ser sexy. Ela gostava mais das peças de tecido suave, brancas e sem enfeites, mas o cidadão merecia um estímulo visual de vez em quando, não é? Por mais que as malditas fitas fossem inconvenientes. E ela teria que lembrar de prender a respiração e puxar a barriga quando finalmente se desnudasse. Pq embora os homens fossem meio cegos no que se referia àquelas gordurinhas aqui e ali, ninguém pode dar bobeira nessas horas... Não senhor.
Ela estava conferindo a temperatura do vinho que estava num balde de gelo que ela desencavara do fundo do armário quando o som das chaves na porta a fez se agitar. Droga, queria ter tido tempo de servir a bebida e aguardá-lo com as taças já prontas, quem nem esposinha de filme dos anos 50! O filho da mãe chegara mais cedo...! Antes que ela pudesse protestar, ou fazer a pose sensual perto da porta que ela planejara (gastara uns 20 minutos tentando descobrir qual seria a maneira mais felina de atirar o cabelo para trás), ele entra e fecha a porta atrás de si, chamando por ela. Jogando a bolsa tipo carteiro que ele usava de qualquer jeito sobre uma das poltronas.
Ah, deus, ele tinha um lírio na mão. Ele se lembrara! Porém, antes que ela tenha a chance de ficar boba com o gesto, ou de bancar a felina no cio, pin-up sexy, ele se aproxima, deseja um feliz aniversário, oferta a flor e... Começa a beijá-la. Devorá-la, indiferente à pose, à maquiagem. Saudoso, faminto do cheiro e do gosto dela. Querendo comemorar do jeito q ela merecia e que ele sabia fazer melhor – com a boca, os dedos, o corpo inteiro. A lingerie elaborada merece pouco mais do que um olhar. Quem se importa com a embalagem, quando o verdadeiro presente está sob ela?!
Ele a arrasta pra cama, deixando uma pilha de roupas pelo caminho. No fim das contas, sob o ataque sensorial, ela não lembra de puxar a barriga e ele não nota nada daquelas gordurinhas reais ou imaginárias. Fazem amor como se ele fosse um homem sedento e ela uma fonte límpida e fresca. No fim, mãos unidas, ele derrama um “eu te amo” na orelha dela. E então a abraça e deseja um feliz aniversário. Se pergunta onde terá deixado cair o lírio. E ela, atraindo-o para si, admite que realmente não era importante...
Ps- Pq eu estava com saudades dos encontros de sexta-feira...^^