Promiscuous girl
Wherever you are
I’m all alone
And it's you that I want
Promiscuous boy
You already know
That I’m all yours
What you waiting for?
Promiscuous girl
You're teasing me
You know what I want
And I got what you need
Promiscuous boy
Let's get to the point
Cause we're on a roll
Are you ready?
Roses are red
Some diamonds are blue
Chivalry is dead
But you're still kinda cute
I'm a big girl I can handle myself
But if I get lonely I’ma need your help
Pay attention to me I don't talk for my health
Promiscuous Girl
Wherever you are
I’m all alone
And its you that I want
Promiscuous Boy
I'm calling your name
But you're driving me crazy
The way you're making me wait
Promiscuous Girl
You're teasing me
You know what I want
And I got what you need
Nelly Furtado - Promiscuous Girl
Balada. Luz negra e colorida, piscando de maneira frenética. Álcool, arrancando inibições. A música alta inibe as conversas, não que as pessoas ali estejam interessadas exatamente em conversar. Os corpos se conhecem e se tocam na pista de dança, no que é o mais perto do ato sexual que você pode chegar estando mais ou menos vestido e no meio de um monte de gente.
Ela se move de maneira felina e intensa sob as luzes. Está sozinha e assim pretende permanecer. Não veio ali para conquistar ou ser conquistada – veio para dançar e ser admirada. E consegue seu intento, pois dança com a paixão abandonada daqueles que não pretendem nada, ou fingem não pretender nada. Pois o que ela queria já estava conseguindo – os olhares.
A maneira como as pessoas a fitavam a excitava quase tanto quanto a música. Ela tinha poder. Ela os atraia, com um movimento de quadril, com o jeito que as luzes coloridas faziam o suor brilhar sobre a pele como mil diamantes. Ela atira a cabeleira para trás, os olhos fechados, apenas sentindo a vibração do som e das pessoas, refletindo nela mesma e provocando ondas de energia pelo seu corpo, como uma pedra atirada no centro de um lago. Não, como um raio no centro da tempestade.
Os olhos felinos se abrem. Concedendo um vislumbre de atenção para a platéia. Mulheres invejosas, mulheres que a desejavam. Homens que a desejavam, também. Um sorriso curva os lábios rubros. Homens, mulheres, todos covardes. Ninguém ousava se aproximar e interromper o transe sensorial, musical, pessoal. Seria como tentar interromper a maré. E ela não queria ser interrompida – mas seria divertido ver alguém tentar... Ela acena com a promessa do seu corpo, do seu cheiro, do seu sabor. Alguém seria disposto o suficiente a arriscar ganhar o prêmio?
Provocativa, ela deixa as mãos bem cuidadas deslizarem pelo corpo macio. Brincando com as roupas que a cobriam parcamente, estreitando muitas gargantas. Muitas mãos queriam ser aquelas mãos e brincar de descobrir segredos. As pálpebras cerram-se, ocultando os olhos de gata do escrutínio exterior. Os lábios se entreabrem, numa expressão dolorosamente familiar, excitada. De quem está caindo no abismo com prazer. Ainda assim ninguém se aproxima, apreciando o simulacro de êxtase na pista de dança. Perdida no seu prazer solitário, ela volta a ignorar a platéia.
Alguém finalmente toma coragem para se aproximar. Ela aceita a interrupção com um sorriso breve. Tanta audácia merecia um prêmio, e ela não se opõe a premiar a pessoa de sorte ali mesmo, na pista de dança. Mãos se insinuando sob roupas, língua abrindo caminho, desvendando segredos. Ela se compraz com o efeito volátil de suas carícias. Inflige-as sem piedade, de maneira unilateral – ali, ela é a caçadora. A predadora. É ela quem está no comando e determina o que acontece, ditando o ritmo de cada respiração curta, a cada rigidez que fica mais rígida. Não quer carícias em troca – sem retribuição, só rendição. Rendição e dominação. Dois são necessários para jogar esse jogo, mas ela nunca trocava de papel. Nunca mais. A vítima corajosa é reduzida a uma massa trêmula e ansiosa, desejosa pelo mais que não vem. Não há alívio nas mãos da felina. Com ela não há estada noturna. A única satisfação que lhe interessa é a própria, e assim que a consegue, ela se afasta, descartando o brinquedinho, em busca de um com mais carga ou novidades. Que venha o próximo valente, porque a felina adora brincar com suas vítimas, ratinhos que se agitam sob suas unhas longas e bem cuidadas.
Muito tempo mais tarde, ela pega um táxi para voltar para casa. Sozinha no banco de trás, apenas a luz dos postes a acompanha. Revelando o que ela era – só uma garota de alma velha, com uma maquiagem pesada demais e roupa de menos. O som da porta que se abre para um apartamento vazio é o único cumprimento que ela recebe. Nesta madrugada, muitas pessoas se tocariam ou tocariam outras, beijando e enchendo mãos, boca, sentidos, com o pensamento nela. E seria o mais perto de envolver-se com outra pessoa que ela chegaria naquela noite – através das fantasias, dos desejos frustrados. Pois ela já jogara aquele jogo e saíra dele quebrada, machucada. Não queria mais aquilo. Queria a apreciação segura e à distância... O prazer da provocação. Pois eles não a conheciam sob a máscara. Não podiam alcançá-la e assim, ela estaria segura. Sexo só salva vidas e ladrilha o caminho do eterno amor em filmes e naqueles romances vagabundos que ela lia em segredo, cheia de culpa e com a minúscula esperança de que um dia ela viveria aquilo. Mas sua consciência dizia que aquilo era um engano, uma mentira. Sexo era como todo o resto – era o que era e nada mais...
Ps: escrevi isso pq às vezes, sexo é só sexo e nada mais do que sexo...