Dearest constellation, heaven surroundin' you
Stay there, soft and blue.
Virginia Moon, I'll wait for you tonight
Sweetest invitation, breaking the day in two
Feelin' like I do, Virginia Moon, I'll wait for you tonight
And now our shades become shadows in your light
In the morning wind we're through and tomorrow rescues you,
I will say goodnight
Secret fascination, whisper a quiet tune
Hear me callin' you, Virginia Moon, I'll wait for you tonight
Foo Fighters - Virginia Moon
Era uma vez uma Deusa. O nome dela não é importante – visto que o assunto principal deste conto não é ela, e sim a sua jornada. De qualquer maneira, um dia, a Deusa despertou com uma sensação estranha fincando garras em seu peito. Sentia-se vazia e incompleta. Algo havia se perdido – mas ela não conseguia definir o que. Como não podia continuar sentindo-se daquela maneira sem fazer nada, a Deusa pensou que poderia obter ajuda dos seus semelhantes. Eles tinham suas próprias perspectivas, diferentes da dela, e talvez conseguissem lhe apontar o que, afinal, estava faltando. Desse modo, ela vestiu o seu manto negro salpicado de estrelas e principiou a caminhar na direção de outros reinos, contando a sua história, dividindo seus pensamentos e solicitando auxílio.
O nobre Chacal, o seu mais antigo companheiro, a ouviu com a atenção e o carinho que se dedicam aos velhos amigos. Ao fim do relato, porém, ele não tinha nenhuma resposta – para ele, nada parecia faltar. Assim, ele ofertou à Deusa a sua eterna fidelidade, tão eterna quanto às areias do deserto. “Não importa se nossos mundos são tão distantes um do outro. Estaremos sempre ligados pela força das memórias e do amor que nos une”. Isso ele garantiu piscando seus olhos dourados, oblíquos, e dando aquele sorriso torto e malicioso que era só seu.
A guerreira alada pousou a sua espada e cessou momentaneamente a sua batalha para ouvir a Deusa, com a atenção que se dá a uma alma irmã. Ao fim do relato, porém, ela não tinha nenhuma resposta – para ela, nada parecia faltar. Assim, ela lhe ofertou coragem, para enfrentar o desconhecido, para tomar suas decisões e mantê-las. “Não importa se estamos distantes uma da outra, pois nossos mundos estão ligados através dos nossos corações. Pense, crie e escreva, e eu estarei lá”. Isso ela garantiu vibrando suas asas de ouro e sol, afastando os cabelos escuros do rosto e revelando um precioso, generoso sorriso.
A pequena Delírio, espírito das chamas e do fogo, interrompeu a sua performance caótica para ouvir a Deusa, e fez vários comentários pertinentes e engraçados. Ao fim do relato, porém, ela não tinha nenhuma resposta – para ela, nada parecia faltar. Assim, ela ofertou à Deusa uma risada – quente, brilhante, capaz de iluminar os cantos escuros e secar as lágrimas. “Muita verdade pode se esconder atrás de uma gargalhada. Dividirei as minhas contigo”. Isso ela garantiu com um uma risadinha mal contida, os cabelos vermelhos brilhando soltos ao vento, o sol arrancando reflexos de prata dos estranhos acessórios em formas de agulhas em seus pulsos.
A Musa com a música e os livros pousou sua pena e silenciou a lira que segurava em seu colo para ouvir a Deusa. Ao fim do relato, porém, ela não tinha nenhuma resposta – para ela, nada parecia faltar. Sugeriu muitas canções e histórias para fazer companhia à deusa em seu caminho solitário. “A música elevará teu espírito e te animará”. Isso ela garantiu inclinando a cabeça, seus cabelos castanhos entre as flores.
O Bardo ergueu a vista de seus escritos que ninguém deveria ler para ouvir a Deusa. Sua alma sensível encontrou eco na perturbação da viajante. Ao fim do relato, porém, ele não tinha nenhuma resposta – para ele, nada parecia faltar. Sem querer deixá-la ir de mãos vazias, ele vasculhou seus papéis. Com a timidez dos jovens, ele ofertou à Deusa uma poesia. ” Seu que o lirismo não é o que mais te agrada, Deusa, mas à cada vez que fitares essas linhas e lembrares de mim,a poesia terá feito o seu trabalho, tocando uma corda em teu coração”.Isso ele garantiu com um sorriso meio tímido, meio lascivo, que soltava fagulhas azuis, os olhos brilhando por detrás dos óculos.
Um Anjo de asas de arlequim pousou elegantemente ao lado da Deusa, pronto para ouvi-la, apenas eles dois naquele vale solitário. Seus olhos cor de tristeza mostravam que ele compreendia a dor da perda e o gume afiado da solidão. Porém, ao fim do relato, ele não tinha nenhuma resposta – para ele, nada parecia faltar. Mas ela havia feito com que ele se sentisse menos sozinho, e ele quis retribuir. Assim, indiferente à dor, ele lhe ofertou duas penas macias, arrancadas de suas asas brilhantes – uma branca, outra negra, ambas com uma pequena mancha de sangue fresco nas pontas. “Com elas, poderá enxugar tuas lágrimas e mostrar teu sorriso. Com elas, veste teu coração e ele brilhará”. Isso ele garantiu com ar contido, tocando o rosto da Deusa com seus dedos longos. Ofertou também um beijo, pois havia um lado de demônio dentro dele e ele simplesmente não conseguiu resistir.
Um Sábio – um velho da idade do mundo e cheio de conhecimento, vestindo um corpo jovem cuja real idade era demonstrada pelos seus olhos cinzentos como a metrópole nua – parou de esculpir o seu mundo para ouvir a Deusa. Porém, ao fim do relato, ele não tinha nenhuma resposta – para ele, nada parecia faltar. Assim, ele ofertou-lhe um pequeno frasco cheio de pílulas. “São pílulas de sabedoria. Tome-as com parcimônia e escolha bem como vai usá-las. Mas de vez em quando as esqueça e se entregue à indolência. É sábio apreciar o cheiro de lençóis limpos e ter um pouco de preguiça de vez em quando”. Isso ele garantiu com um sorriso travesso no seu rosto de velho-menino, a maneira como ele piscou o olho muito mais da criança que ele era do que do velho que ele aparentava ser.
O irmão Sonho, com seus olhos que brilhavam como mil estrelas, soltou alguns pesadelos no Sonhar enquanto ouvia a Deusa. Porém, ao fim do relato, ele não tinha nenhuma resposta – para ele, nada parecia faltar. Assim, ele ofertou à Deusa um sonho. Algo para ocupar a sua mente quando os pés estivessem exaustos da caminhada árdua. Algo que cheirava como o vento da Sicília e que tinha olhos azuis. “Quando te cansares da realidade, sonha. Quando acordares, a realidade irá parecer diferente”. Isso ele garantiu com uma expressão de quem sabia o que dizia.
A Fada Púrpura parou de bater suas asas delicadas, violáceas, para ouvir a Deusa. Porém, ao fim do relato, ela não tinha nenhuma resposta – para ela, nada parecia faltar. Assim, ela ofertou à Deusa um abraço de irmã. “Meu brilho estará sempre contigo”. Isso ela garantiu com um sorriso doce de quem aguardava o reencontro. Do guerreiro oculto, Orion, ela recebeu palavras gentis de consideração, e do companheiro ausente, saudade. De vampiros divertidos ela recebeu alguns informações noturnas, e um grito silencioso lhe despertou carinho.
A Deusa encontrou também vários grupos durante a sua jornada. As Dríades, rostos ocultos pela folhagem das matas, lhe ofertaram um conselho: ”Respeite-se”. As Graças lhe deram um momento de embriaguez e torpor, uma breve fuga, um bem vindo descanso; e as Bacantes lhe presentearam com um alerta: “Não se iluda, Deusa; Herói ou Mortal, no fundo ou na superfície, homem é tudo palhaço”.
Após essa longa viagem, a Deusa retornou ao seu próprio reino. Despiu seu manto de estrelas, e dispôs cada presente à sua volta. Olhando-os, sorriu. Sua pergunta não havia sido diretamente respondida, mas todas as respostas que importavam estavam ali. Algo brilhou e se aqueceu dentro dela. Feliz, ela os reuniu próximos ao seu coração. Estava completa mais uma vez...
P.S.: Esse texto só deveria ser postado lá pelo dia 27 de Dezembro – pq eu vou passar 10 dias fora, viajando, e queria deixar um presente de despedida para vocês. Mas eu sou super ansiosa com os meus presentes... Então, deixo aqui meu presente de natal antecipado e o aviso que estarei off entre os dias 28 de Dezembro e 7 de janeiro. Eu vou, mas volto. E até lá, ainda tem muita coisa pra ser escrita. Bjos!! Ah, link da música lá em cima...^^