
Você é inteligente demais para ele, ele é inculto demais para você.
Você gosta de cinema e livros, ele não conseguiu terminar nem o segundo grau e só assiste filmes dublados pq detesta legenda.
Você gosta de rock, ele gosta de ouvir moda de viola e samba de mesa.
Você detesta praia, ele fica aborrecido se não coloca os pés na areia e vê o mar ao menos três vezes na semana.
Você gosta de dançar, ele não dançaria nem pra salvar a própria vida.
Você gosta de preto e prata, ele de blusas berrantes que só um cego compraria e jeans que quase se desmancham, de tão velhos.
Os pais de vocês não compreendem o que mantém vocês juntos. A mãe dele diz: “o meu filho não presta pra você”. A sua mãe nunca disse nada, mas dá aquele olhar de quem antevê desgraças cada vez que ele chega.
Mas o perfume dele é uma delicia, e ele gosta do cheiro do seu cabelo.
Ele toca você como um homem deve fazer, com segurança, conquistando e recebendo seu prêmio de bom grado. E você se derrete em ser tratada assim.
Ele cuida de você, e é tão bom ser cuidada por alguém e não ser tão completamente auto-suficiente o tempo inteiro. E você também cuida dele, e ele permite ser cuidado por você.
Ninguém sabe como é quando vocês estão sozinhos, como as palavras se tornam desnecessárias. Porque, de fato, as palavras entre vocês não fluem com muita facilidade, diferente dos gestos. Os seus amigos e os dele têm razão, vocês são totalmente opostos um ao outro, e essa diferença surge e vai ficando gritante a cada passo dado em direção ao mundo exterior, àquele mundo que não se resume só a ele e a você. O seu título universitário, seu trabalho, fazem com q ele se sinta diminuído entre os seus amigos. De propósito ou não, seus amigos falam coisas fora do alcance dele, quando vocês estão tentando se manter juntos em um grupo. O mesmo vale para os amigos dele; eles também a diminuem pq vc não entende de carros, ou de praias da moda, ou de coisas assim. Vocês se agarram um à mão do outro com uma ponta de desespero. “Eu estou aqui, vamos passar por isso juntos. Sim, nós vamos”.
A realidade interfere com a mão pesada. Os momentos solitários vão ficando cada vez mais raros, as brigas mais freqüentes, as admoestações passam a fazer sentido, fincando garras profundas nos sentimentos antes intocados. A dúvida surge. Podem todas as pessoas estarem erradas e nós estarmos certos?! O improvável se torna impossível. Um dia, o conforto mútuo desaparece. Vem a traição. Ele acha alguém que partilha de interesses mais similares, alguém que ele não tem dificuldade em adequar ao seu grupo ou se adequar pessoalmente. Vc recolhe os cacos em digno, impávido silêncio. As pessoas em volta dizem: “foi melhor assim”. Para vocês dois. Mas, lá no fundo, vocês ainda dividem uma dúvida dolorida que, tal qual velha ferida, de vez em quando se inflama e machuca. “Será mesmo? Será que foi melhor assim?!”.
Essa pessoa saiu da minha vida há algum tempo. Há bastante tempo, na verdade. Mas eu ainda sinto falta dela, e, às vezes, eu me pego recordando. Como aqueles momentos particulares eram bons e faziam com que eu me sentisse especial, privilegiada e feliz... Era bom e horrível estar apaixonada, mas sinto falta da parte doce desse sentimento.
A pílula de hoje é: APROVEITE A OPORTUNIDADE. Coisas especiais acontecem numa fração de segundo, e podem vir dos lugares (e das pessoas) mais improváveis.
** Editado para adicionar: numa tremenda coincidência cósmica, acabei de ganhar um presente da minha tia. Um perfume que ela trouxe de sua recente viagem. E adivinha só, é o mesmo perfume que era o preferido dessa pessoa de quem eu falei no post... **