
Em linhas gerais, é essa a “aterrorizante” lista de critérios. Será que é tão difícil encontrar alguém assim? Ou isso é um subproduto da minha mente viciada em romance de banca e os homens assim simplesmente só existem nas prateleiras da livraria?!
Eu ando carente. Não sei se é alguma conjunção astrológica-hormonal, mas o fato é que esse sentimento (que está sempre presente de uma maneira subjacente) vem se intensificando esses dias. Não é carente dos amigos, nem da parte boa da família, nem de peia (“surra”, para os não-cearenses), como diria a minha mãe. É uma carência bem específica.
Eu quero um homem. Alguém pra gostar, cuidar e até se aborrecer com aquelas atitudes meio incorrigíveis que nós todos temos.
Eu tive essa epifania enquanto estava na fila do banco (ok, ok – esperar duas horas na Caixa Econômica não é o melhor lugar do mundo pra se ter uma revelação de nenhum gênero). Enfim, lá estava eu, estranhamente sem nenhum livro – parte essencial do meu kit “ida ao banco”. E vcs sabem... Uma mente desocupada é um perigo. A gente acaba pensando. E foi justamente o que me aconteceu – eu fiquei pensando... E foi justamente a demora que provocou isso.
Duas horas de fila.
Duas horas de fila e ninguém iria sentir minha falta pelo atraso inexistente. E eu me peguei fantasiando como seria bom se alguém de repente, sentisse minha falta (na minha fantasia, “alguém” parece uma versão mais jovem do Dave Ghrol. É, eu tbm sei que ele pode até nem parecer material para devaneios – mas pra mim, ele é o homem mais lindo do mundo. Dane-se.). E esse alguém, movido pela saudade, me telefonasse. Ou viesse conferir se alguém tinha me abduzido dentro do banco. E se aproximasse de mansinho, me arrancando do momento de abstração com um “Amor, que aconteceu? Vc estava demorando tanto que eu vim ver se estava tudo bem”. Um gesto de afeto e de preocupação, e então ele ficaria lá, seu braço nos meus ombros, falando aquelas abobrinhas que os casais falam entre si. Eu quero alguém assim - pra andar de mãos dadas. Não é como se eu quisesse uma daquelas obras de arte perdidas do Da Vinci. Ao menos, não deveria ser...
Pensar sobre isso e constatar que eu não tenho isso (pior, nem tenho mta perspectiva de ter isso em qq momento breve) me fez encher os olhos d’água. Juro. Eu podia culpar os hormônios pelo acontecimento no mínimo brega. Mas hormônio nenhum explicaria a maneira como o meu coração se ressentiu dessa solidão. E eu acredito que isso não é exclusividade minha – afinal, eu conheço várias e várias garotas tão boas qto eu que também se sentem assim. É um sentimento meio generalizado. Uma triste constatação de que algo está faltando – e não é possível que todos os homens sejam uns galinhas que não servem nem pra limpar o chão. É matematicamente improvável.
Uma vez, um desses galinhas me acusou de ser muito exigente. Insinuou até que a culpa era dos romances que eu vivia lendo e seus galãs perfeitos. Isso pq ele tinha uma namorada oficial, um rolo com uma outra guria e queria me encaixar nas noites de quinta feira – obviamente longe de qq comparação com os caras dos romances da Harlequin. Mas eu não me vejo assim tão carrasca (ou tão ingênua) qdo o assunto é relacionamento. Tenho exigências?! Sim, algumas. Mas nada tão complicado (ao menos à primeira vista):
O que eu sei é que estou cansada dessa solidão que não me deixa, e ao mesmo tempo desanimada pela carência de possibilidades. E que detesto essa ausência dentro de mim, tanto carinho pra dar e ninguém para receber. Que tremendo desperdício.