
A gente deve ser sempre verdadeiro, sermos sempre nós mesmos. Se você não é um mentiroso patológico que merece ganhar um Oscar, ser vc mesmo é sempre a melhor pedida. Mas a gente eventualmente se ilude. Achando que dá pra dar uma flexibilizada nessa verdade absoluta. Resultado? A gente se ferra em grande estilo. Só se ferrando a gente aprende. Eu, pelo menos aprendi...
Imaginem a cena, a nossa amiga que vos escreve, com o jeito dela sempre mto curto e grosso, mto direto ao ponto, com a capacidade de inserir alguns palavrões pra deixar o discurso mais eloqüente e sem a menor paciência pra riquififes e babadinhos, foi inventar de se sentir atraída por um moço do segundo círculo de sua roda de amigos (vcs sabem, aqueles q são amigos dos amigos). Averiguações de praxe feitas, descobre-se que o moço é todo educadinho, todo retilíneo... E que a ex-namorada dele era uma bonequinha de louça. Daquelas que não mascam chiclete pq é feio, que não dizem nem “cocô” em voz alta e que morrem de vergonha de ir ao toalete. Difícil competir com tanta candura, com tando sabor dos anos 20. E ainda mais com o aviso dado pela melhor-amiga-do-alvo, um dragão em forma de gente: “Ele não gosta de mulher desbocada”.
O aviso foi honesto, apesar da fonte. E eu realmente deveria ter levado as palavras a sério. Porém, burrinha como toda mulher sob os efeitos dos hormônios, eu ignorei a advertência. Pior; se era uma princesinha bem educada que o bonitinho queria, era isso que ele ia ter. E eu comecei um processo de “elevação de outra personalidade” que horrorizou todo mundo que me conhecia bem. Não mas do que de repente, eu estava falando baixo e pouco, dando risadinhas comedidas, comprando bombocados para levar pro fofo... E sem falar palavrões. Sem xingar no trânsito, uma das minhas mais marcantes características ( “sua vaca!!”). Sem xingar at all. Eu estava possuída por uma personalidade fofa, rosada, enjoativa e 100% artificial – a coisa toda era pior do que k-suco de morango. Mas o pato... Cof cof, o bonitinho estava caindo na conversa e isso me deixava feliz.
No começo até que compensava, mas depois de um tempo mui breve, parou de compensar. O meu sorriso-pregado-com-martelo estava cada vez mais indo pro estilo “cala a boca e beija logo”, aquelas drogas de brotos de bambu na comida estavam começando a me deixar doente de raiva e se a coisa tivesse durado mais, eu teria terminado com uma úlcera de tanta vontade que eu tinha de falar palavrão e segurava. E a coisa foi indo, foi indo... Até que surge o amigo-da-onça. Sempre tem um pra rasgar a fantasia e mandar os planos alheios para a caçapa.
Neste caso, o amigo da onça era um conhecido em comum meu e do fofo, que já me conhecia de outros carnavais e começou a dedicar-se à árdua tarefa de me tirar do sério só pra ver o que acontecia. Em outras palavras, jogar a merda no ventilador e apreciar o a obra de arte que resultaria disso. Ele me conhecia e sabia exatamente o que dizer para me provocar. E foi. Devagarzinho, devagarzinho, e eu esticando a minha paciência (que tem mais ou menos a área de um selo) ao máximo. Só que um dia, a paciência foi pro beleléu e o destampatório verbal ocorreu numa viagem de elevador protagonizada pelo fofo, pelo amigo da onça e por mim...
Foi um fiasco (ao menos da minha parte, da parte do amigo dos bichos em extinção foi um completo sucesso). O fofo entrou com uma flor de candura no elevador e, 40 segundos de provocações depois, saiu horrorizado no andar do seu apartamento, perguntando-se que pomba gira de encruzilhada era aquela que tinha dominado a sua doce e meiga candidata-à-qq-coisa. O Amigo da onça não podia conter o sorriso vencedor e, qto à mim, estava possessa. Mas não pela pombagira, e sim por mim mesma. Raiva de mim por ter caído na provocação, raiva do “amigo” por ele ter armado essa e raiva principalmente do fofo – rebaixado à “corno filho da puta” à essas alturas, pra vocês verem o tamanho da minha raiva. Foram dois meses de palavrões contidos, de serenidade falsa e de afetação de “florzinha indefesa e casta” que explodiram em 40 segundos. Nem sai do elevador – soltei um “tenho que ir” que poderia passar perfeitamente como a indicação de um lugar não mto recomendável p/ambos visitarem, apertei o térreo e dirigi de volta pra casa como uma louca. Felizmente eu moro longe, e quando cheguei em casa já tinha dado tempo esfriar o juízo... E eu estava rindo da situação ridícula q eu tinha me enfiado por conta própria. Onde eu estava com cabeça quando deixei de ser eu para me tornar um protótipo insípido e plastificado da minha gêmea do mal?! Não há homem(ou pessoa) no mundo que valha isso (Talvez o Dave, mas ele é tão legal q NÃO ia querer isso ^^)...!
Claro que qualquer coisa q poderia ter existido entre o fofo e a minha pessoa virou lenda urbana dentro daquele elevador. Eu desencanei. Mas ele, sempre que me reencontra, me cumprimenta com um aperto de mão bem de longe e olha pra mim com aquele cuidado reservado aos loucos perigosos. Quem sabe eu esteja mordendo e o coitado não sabe?!
Pílulas de hoje: entre ser você mesmo e ficar solteiro e interpretar um personagem e ter alguém, é melhor ficar solteiro. Pra todos os envolvidos! E se vc quer dizer palavrão, diz, car%*&o!!!! Se o *%#$@ em que você está interessado (a) te dispensar por conta disso, é pq ele é um $@#!&* superficial e ultrapassado!