
Passei dias e dias afastada da net. Culpa do computador que se revoltou (vírus, placas e outras coisas) e do trabalho. Só voltei a ter vida virtual nesse final de semana, e foi aquele “adorável” processo de reinstalar programas e tentar deixar o pc vagamente parecido com o que ele costumava ser.
Hoje é meu aniversário. Sou uma Balzaquiana meio torta e relutante, com um ano de experiência na carteira, já. Acho que isso deveria significar, em tese, que já devia estar há mto tempo interagindo completamente com o dito “mundo adulto”, que é pra onde a gente vai quando as ilusões fenecem e a gente passa a desacreditar das coisas. Mas, felizmente ou infelizmente, uma vez que o conceito de “bom” e “ruim” não é exatamente uma variável aplicável à situação, eu ainda não me entrego. Não completamente. Agente duplo no infame jogo da vida, que é ainda pior q aquele jogo de tabuleiro babaca que eu tive um dia... (Ao menos lá, as famílias eram compostas por pinos silenciosos).
Queria estar junto aos meus amigos. Aqueles que já não são mais. Aqueles que foram, não foram e voltaram. Aqueles que estão distantes, em outros estados, em outros bairros. Eu os queria próximos, ao alcance da mão, e não da fotografia, email ou telefone. Às vezes a tecnologia só nos deixa frustrados. Eu os queria todos juntos, perto, celebrando, rindo com seus sotaques diferentes – unidos entre si por um simples e (modéstia à parte) excelente laço: eu.
Eu vejo cada rosto querido com a lente da memória. Querendo que as pessoas das fotos virtuais, da agenda de telefones, se alimentem de tinta e bites e se corporifiquem bem aqui, perto de mim. Para podermos rir, e zombar, e jogar conversa fora, e ouvir música, comer bobagens e fingir que a vida não se resume a pagar contas, arrumar um emprego e criar mais contas. Tem que haver mais que isso – certeza que reside nesses momentos fugazes, eternos em seu delicado deleite.
Este ano não haverá bolo nem nada do gênero. A minha total aversão à hipocrisia impedirá o rito da família. Os mesmos elementos de distorção impedem a reunião das pessoas. Risadas e bons sentimentos se quebrariam nesse ambiente tão pouco propício a recebê-las. Agradeço cada sorriso, cada beijo que vão me enviar as ondas de telefone, os que vierem pelas mãos do carteiro ou via virtual. Só queria, definitivamente, ter vocês mais perto... A candura da amizade rachando o cinza do dia azul. E o peso daquilo que simplesmente é.
Ps1: Sim, essa aí da foto sou eu...
Ps2: Aaaah quero o povo das minhas férias de volta, mais uns importados de SP e MG e com alguns nativos pra dar a cor local!!! :D

These foolish games
Impassível, ele a observa arrumar a mala com gestos casuais. Impassível por fora. Homem não chora. Não? Por dentro, tudo doía e se quebrava, se retorcia de maneira inevitável. Assim era o fim. Não tinha estrelas caindo dos céus nem a terra tremendo, mas ainda assim, era o fim...
Ele permanece lá. Braços cruzados, os olhos fixos nas mãos que se moviam, determinadas, pelo quarto. Mãos pálidas, de dedos longos e estreitos, unhas compridas. Ele gostava daquelas unhas se afundando em suas costas, no momento do clímax. Não haveriam mais arranhões satisfeitos e reclamações que a sua barba mal feita arranhava. Não. Havia lingeries voando para dentro daquela mala de maneira desordenada, misturadas às camisetas amassadas e aos cds colocados de forma cuidadosa. Ah, com os cds, ela se importava. Ele tem inveja das caixas de acrílico. Seu próprio coração não merecera tanto cuidado, atirado à um canto em meio aos destroços. Gritando o que ele não poderia gritar, tolhido pelo seu cromossomo Y, por séculos de civilização e sociedade e modos. O que diriam os espartanos, se soubessem da sua vontade de chorar, de implorar, de amar e odiar aquela cretina com todas as suas forças...? Provavelmente lhe dariam uma mostra das muitas razões pelas quais os homens não choram.
As mãos que antes o tinham acariciado apanham um cigarro e um isqueiro. Mulher transformada em hidra de uma única cabeça e garras afiadas. Dragonessa, Dragão-Condessa. Soltando fumaça pelas narinas. Como um gesto tão politicamente incorreto, tão pouco saudável, podia ser tão sexy? Mas podia. E daí se a nicotina devorava devagar a carne dos pulmões femininos, se o cigarro tinha veneno pra rato na sua composição e ele odiava aquele inconfundível odor de cinzeiro...? Ele se sentia virar fumaça qdo ela fazia aquilo. Fog londrino em questão de segundos. Enevoando seus sentidos, sua consciência. Só não enevoava aquela vontade dela. Aquela vontade que nunca se satisfazia... Que nunca seria satisfeita novamente, pelo jeito.
Ela o fita como se ele fosse um inseto particularmente asqueroso. A sua única, patética resposta, é cruzar os braços com mais força. Em silêncio. De alguma maneira, sua ausência de palavras parece confirmar todas as teorias e acusações dela – ela revira os olhos de maneira eloqüente, prende o cigarro entre os dentes e, com um ruído abafado, empurra a tampa da mala para baixo. O som do zíper se fechando é alto demais dentro daquele vácuo de palavras – parecia soar como uma sentença esganiçada de morte. Mais uma vez, o fim.
Ela diz algo – que não era nada do que ele queria ouvir, então ele simplesmente ignora. Ela empunha a bagagem como se fosse uma arma, e os saltos altos fazem toc-toc à caminho da porta. O som não muda quando o bico fino de seu caro sapato de griffe se finca no que restara de seu coração e o chuta pra debaixo da mesa do computador como se não significasse coisa alguma. Provavelmente pq não significava mesmo.
A porta se fecha. E ele se rende, finalmente compreendendo. Não é que os homens não chorassem. É que eles sempre choravam sozinhos...

Consegui atualizar a maior parte dos rpgs, fiz backups, fui levar coisas pra consertar, pagar contas e... E bem, a rotina apareceu novamente. Com seus prós e contras. Ainda tenho muito o que fazer, mas as coisas vão seguindo seu próprio ritmo. Infelizmente, pra ser literária eu tenho que ter tempo pra pensar. Refletir e amadurecer as idéias. E isso não vai acontecer nesse fim de semana...
Enfim, boa páscoa pra vcs e peguem leve no chocolate :D.

Mas o fato é que mesmo tecnologicamente ilhada, eu sinto falta das pessoas de quem eu gosto e das coisas que costumo fazer por aqui. Assim, me rendi a algo que eu adoro fazer, sinceramente, e que parece cada vez mais anacrônico – mandei cartas. Mandei cartas pra pessoinhas que eu amo demais. E, sinceramente, eu adoro escrever cartas. Pode me chamar de antiga. Eu sou mesmo! Gosto de tornar as coisas pessoais. E-mails são bacanas, mas não se comparam à felicidade de encontrar uma carta no meio das faturas de cartão de crédito e malas diretas que o correio despeja todo dia nas nossas casas. E servem pra sanar a saudade das pessoas distantes qdo não há programas de mensagens instantâneas à nossa disposição.
Meu único lamento acerca disso? Anda meio impossível usar o correio na sua função principal – que é a de postar cartas. Agora com essa moda de transformar tudo que é lugar em correspondente bancário, as agências dos correios são sempre lotadas – e não de pessoas postando cartas ou encomendas, e sim de gente pagando conta. Peguei uma fila homérica de quase uma hora pra postar minhas cartas. Destinatários, vcs decididamente são amados – olha só o tamanho do sacrifício que eu faço por vocês :D!
Pra finalizar esse post, duas sugestões totalmente fora do contexto:
- Vão assistir “300”. Filme lindo, lindo. Violento, sem dúvida, e ainda assim poético. Amei – é decididamente um novo acréscimo à lista de favoritos.
- Acabei de ler “A menina que roubava livros”. Uma obra sensível, que encara o horror da 2ª guerra de uma maneira bem pouco comum. Valeu os 30 reais que eu gastei nele – e considerando meu atual estado quebrado, esse é um grande elogio!