
Desde ontem a noite que chove, de maneira intermitente, aqui na terrinha. Embora deteste calor, tampouco sou lá uma grande fã de chuva – acho que sou mesmo uma criatura de ar condicionado. Ambiente climatizado e perfeitamente controlado. E foi o que eu fiz grande parte do dia – dormi e me deprimi, empurrei meus compromissos pra semana que vem. As contas podem esperar, o banco, idem. Não que não vá chover na semana que vem. Mas, quem sabe, eu não esteja me sentindo assim, cinzenta e chuvosa por dentro, repelindo uma tempestade em forma de lágrimas com um sorriso aberto. Se ao menos a chuva lavasse a tristeza. Se as lágrimas se misturassem à água e fosse possível ignorar esse sentimento cinzento. PS 1: Um bom achado: Animepaper. PS 2: Eu recomecei a usar meu tablet numa tentativa de finalizar desenhos (ao contrário das UniPins, nesse caso, quando erro eu posso voltar atrás e refazer). A 1ª tentativa está aqui.
7 Coisas que quero fazer antes de morrer: O desafio acima me foi passado pelo Doh, e eu achei que seria um jeito bem legal de começar o centésimo post desse blog. Cem posts... Em primeiro lugar, nunca achei que fosse durar tanto. Começou como uma tentativa qualquer, acho que esse é bem o 3º. ou 4º. Blog que eu criei. Os outros, obviamente, não duraram tanto assim *olha pro Sala Escura e suspira*. Era mais um meio de desabafar, de colocar certas coisas no papel virtual antes que elas se transformassem em brigas e confusões reais. De diário, passou a ser literatura (Nossa... Chamar meus escritos de literatura parece tão pomposo) e então diário novamente... É uma salada. Já teve pílulas de sabedoria, lições de vida capazes de dar inveja à qq Paulo Coelho da vida. Já teve conto, encontro, desencontro, fadas e deuses e avisos de computador no conserto. Já passou por mudanças estilísticas e lay-autais. Já falou até de política - provavelmente o máximo de política que vcs vão ouvir de mim, pois a verdade-ficção me interessa muito mais que a verdade-literal. Eu fico imaginando o que trarão os próximos 100 posts. Pq, claro que eu pretendo que eles existam – afinal, se já ultrapassou a barreira dos 2 dígitos e dos 2000 hits, alguma coisa eu devo estar fazendo certo – tanto para mim quanto para vocês. Possivelmente teremos mais fantasias, amores, reclamações, observações aleatórias e doses mto, mto espaçadas de realidade... Escrever para mim é um prazer imenso. Talvez só quem também escreve possa saber o quanto é recompensador derramar suas palavras no papel ou na tela, vê-las criar forma e seguir para longe de você, tocando e encantando outras pessoas. Enquanto eu tiver palavras, eu pretendo dividi-las com vocês. E se vcs quiserem também dividir suas impressões comigo, é pra isso que serve a caixa de comments. Pq eu os leio e presto atenção neles, sabe? Não é só enfeite não. Juro!! Por fim, um grande abraço para cada um dos meus vizinhos de cerca virtual ali do lado esquerdo... Meus amigos queridos, pessoas que graças à internet conquistaram um espaço no meu coração, pessoas que estão longe fisicamente, mas tão perto da maneira que realmente importa... Com seus sotaques tão diferentes e sorrisos tão bons de ver, através do messenger mas especialmente ao vivo... Adoro todos vocês! Beijos mil! A Princesa volta
Era uma vez uma princesa. A natureza, e não uma fada, a dotou de grande inteligência, amor pelas artes e lindos, fulgurantes, cabelos vermelhos. Por tudo isso, ela se destacava das demais filhas da realeza, todas loiras e vazias. Ela foi crescendo em idade e em sabedoria, amada pelo seu povo como a jóia mais preciosa da realeza daquele lugar. Ps - Continua amanhã...
Meu pai era uma pessoa muito especial. Por conta dele, é improvável que eu encontre um marido que preencha as minhas expectativas. Pois, se toda garota deseja casar com o próprio pai, onde eu vou encontrar um homem inteligente, fiel, culto, trabalhador e de mente ágil que nem ele?! Ele já era um artigo raro, espécime único, quando se casou com a minha mãe. Aliás, passaram mais de 50 anos casados. Quão excepcional é isso?
Assim como eu, ele era o caçula. Assim como eu, amava os livros - cedo arruinou a visão lendo à luz de velas e correu o risco de virar padre pq, naquela época, o seminário era uma possibilidade acessível ao estudo de alto nível. Assim como eu, ele era advogado, mas queria ser mais. Assim como eu, se distraía escrevendo, adorava conversar, falava pelos cotovelos. Assim como eu, ele adorava fantasiar, planejar, sonhar um mundo melhor e se perder em "viagens" intelectuais.
Graças ao meu pai, tive o privilégio de crescer achando que cultura era artigo de cesta básica, que os livros estavam lá para serem lidos, que qualquer linha de pensamento era válida, e que todas as famílias eram como a minha - com pais que gostavam de dividir beijos, abraços e palavras com os filhos. Que qualquer assunto podia ser abordado, que não existiam perguntas inúteis, que não havia problema em gostar de arte e onde "não" era "não".
Muita coisa mudou agora que ele não está mais aqui. Nada para melhor, óbvio. Coisas foram ditas e feitas, atitudes se transformaram e máscaras caíram. Foi um empurrão impiedoso num mundo adulto e estéril, onde não há mais "causos do Sapé" e nem a xícara marrom dele à mesa do jantar. Com a inflexibilidade que só a vida e a morte têm, ficou claro que ele era o eixo dessa família. Sem ele, todos nós nos tornamos um pouco mais estranhos entre si. Se alguns laços se reforçaram, outros se desfizeram de maneira brusca, como se jamais houvessem existido. Constatar isso é triste e dolorido, e só aumenta a dor que a ausência dele traz.
É estranho. Ou talvez apenas eu seja estranha. Mas, às vezes, eu vejo uma cabeça branca, uma blusa xadrez,e meu coração falha uma batida, suspenso no tempo num momento longo demais. O chamado de "pai" some antes de se formar, pois não é ele. Mente perigosa, pregando peças numa alma que ainda não crê completamente na perda. E como dói constatar que não é ele, que jamais será ele.
Não sou a pessoa mais religiosa do mundo, longe disso. Mas se os espíritas estiverem certos, e as pessoas que amamos nos recepcionam do outro lado, eu terei a chance de vê-lo mais uma vez. E por isso, eu não tenho mais tanto medo.
Ah, pai, eu sinto sua falta. Eu só queria que não doesse tanto. Que não fosse tão duramente definitivo, tão pétreo e imutável. E que o Verbo ainda fosse Vida...

Hear it on my window pane
Your love's coming down like
Rain, wash away my sorrow
Take away my pain
Your love's coming down like rain
When you looked into my eyes
And you said goodbye could you see my tears
When I turned the other way
Did you hear me say
I'd wait for all the dark clouds bursting in a perfect sky
You promised me when you said goodbye
That you'd return when the storm was done
And now I'll wait for the light, I'll wait for the sun
Madonna - Rain

Ainda surpresa com a atenção que lhe era dedicada (tão diferente das usuais), o olhar da princesa – pássaro recaiu sobre o autor das palavras inesperadas. Pela cama suntuosa e por todos os adereços, ela reconheceu que o rapaz pálido, deitado contra uma pilha de travesseiros, era tão da realeza quanto ela fora, um dia. E sim, ele também parecia doente, olheiras fundas circulando olhos da cor do céu q ela agora conhecia tão bem. Parecendo sentir a sua hesitação, ele deu um sorriso fraco:
“Não precisa ter medo de mim. Estou confinado a esta cama e não lhe faria nenhum mal. Já fui arrogante e autocentrado, mas a doença afasta os falsos amigos e as canções de amor. As pessoas não gostam de se juntar com os fracos. Infelizmente eu só compreendi isso depois de me tornar um deles... Pode chegar perto”. Ele informou com naturalidade, como se fosse comum falar com pássaros. A princesa ainda hesitava, mesmo tocada pelas palavras solitárias. E assim, se aproximou devagar, piscando seus olhos verdes com a atenção focada nele. E ele, provavelmente incentivado por essa mesma atenção, continuou a falar. A contar como fora parar naquela cama, o resultado cruel de uma disputa tola.
Lutara para conquistar um prêmio, uma princesa tão fútil qto ele mesmo fora. Porém, quando ele perdera para um cavaleiro mais forte e experiente, todas as promessas de amor se mostraram vazias. Se ele não era forte o suficiente para lutar por ela e vencer, não lhe servia. E a amarga decepção, bem como o reconhecimento de suas aspirações vazias, haviam enfraquecido tanto seu corpo qto seu espírito. Agora, ele estava ali, peça inútil no jogo de xadrez do poder e dos relacionamentos. A sua própria superficialidade o havia conduzido até ali, e ele simplesmente não via escapatória... “Fale-me do mundo lá fora, belo pássaro. Talvez no seu canto ele fique mais bonito, menos vazio”. Comovida com o pedido, a princesa cantou. Não mais suas próprias dores, mas uma canção feliz. Entre ela e o príncipe doente já havia dor demais...
Os dias foram se passando. A princesa sempre vinha à janela, era sempre recepcionada com um sorriso pálido. Ela cantava, mas ele ficava cada dia mais doente. O único momento que ele parecia se animar era quando ela surgia. E cada vez mais, a princesa se viu triste e preocupada com ele, chegando a esquecer o próprio infortúnio em detrimento do dele. Ela desejava fazê-lo feliz, e por isso queria se superar, cantar cada vez melhor, para alegrá-lo. A cada dia, ela se aproximava mais dele. Ele roçava o dedo na penugem rubra de sua cabeça e sorria. Mas ainda não era o suficiente...
Um certo dia, ele parecia estar especialmente mal. Quando a princesa pousou perto dele, ele se esforçou em dizer:
“Fui desenganado. É apenas uma questão de aguardar, agora. Pena... Como eu gostaria de saber o que você pensa da vida, pequeno pássaro. O que vc vê de tão belo nela que te faz cantar...”
A notícia fez o frágil coração de pássaro da princesa se encolher. A parte humana dela queria gritar e chorar em negação, mas ela não podia. Só lhe restava fazer uma coisa – cantar. Cantou a mais bela canção na qual pode pensar, querendo fazê-lo feliz, querendo fazê-lo sorrir mais uma vez, deus, por favor, só mais uma vez. A mão trêmula se ergueu, o polegar roçou as penas vermelhas e ele sorriu:
“Se ao menos eu pudesse saber o que vc pensa... Tenho certeza que seus pensamentos são tão belos quanto a sua música, e que o seu coração é rubro e caloroso como a cor de suas penas. Queria tanto ouvi-lo falar acerca de como vc vê a vida, essa vida triste que parece ser bem mais bonita quando vc a canta”. O príncipe disse as palavras com a voz sumida dos que estão morrendo. E assim, ele fechou os olhos e expirou. E não viu diante dele o pássaro se converter numa linda princesa ruiva, cujo coração fora curado por sua gentileza apenas para ser partido mais uma vez por sua inflexível ausência...
A princesa se desesperou. Atirou-se, alucinada, sobre o corpo do príncipe, querendo arrancá-lo das garras da morte. Chorou e rogou, praguejou e amaldiçoou, e nada. A presença de uma terceira pessoa naquele quarto a fez erguer os olhos chorosos para a porta. Para sua absoluta surpresa, lá estava o homem moreno que a fizer passar por todas aquelas agruras, observando acena com expressão pensativa...
“Então você achou alguém que queria ouvir o que vc escutava. Venceu meu desafio, reconquistou seu corpo e sua voz. Talvez mereça um prêmio além deste que já tem – não é todo dia que me vencem”, disse o mago com uma voz de quem ruminava idéias.
“Traga-o de volta, por favor”.
“Nem eu posso vencer a morte, cara dama”.
“Você é um mago poderoso, faça algo!”
“Pois bem, farei.” O mago fez um gesto no ar. Sobre a cama, não havia mais uma princesa chorosa e um príncipe morto, mas um casal de pássaros vermelhos. De penas luxuriantes, rubras como sangue, como o amor. “Vão e cantem para si e um para o outro sua felicidade, que pode ser apreciada, mas dificilmente entendida pelas demais pessoas. Pois nessa terra será raro existir alguém como vocês, que conseguiu ver mais do que os olhos vêem, ouvir mais do que as palavras dizem, compreender mais do que falam os gestos.”
O mago acompanhou com o olhar os pássaros alçarem vôo e sumirem na linha do horizonte. O canto sobrenaturalmente belo se elevando e se espalhando pelo céu. Aquele canto o assombraria por muito tempo, e após esse dia, não foram poucas às vezes em que ele despertou com aqueles sons na memória, e o desejo de ser como aqueles pássaros em seu coração. De ser apreciado na por sua forma, mas sim , por seus pensamentos...
Obs: Esse final ficou bem mais melancólico do que eu previ O.o’.E em breve teremos um breve ensaio sobre o que é arte (como sou atrevida...Kkkk!). Ah,e mil desculpas pela demora à postar algo novo. A vida real está me enlouquecendo... mas eu sei como é chato qdo a gente vai na esperança de ler alguma novidade e só encontra desculpas. Vou tentar voltar a postar mais regularmente, para felicidade geral da nação bloggueira.Bj!
O mundo do menino de alma velha tá em festa. Confiram!!
Sim, eu assumo desavergonhadamente que não escrevi nada de interessante para o blog hoje além desse anúncio... ^^ Bad Debbie!! E obrigado às pessoas q não tiveram pesadelos com a foto (modesta, modesta). Beijos!
E não, os próximos 100 posts não serão assim curtinhos. Prometo!
7 Coisas que eu mais falo (com um sotaque horroroso...)
7 Coisas que eu faço bem
7 Coisas que eu não faço bem
7 Coisas que me encantam
7 coisas que eu não gosto
7 abençoados que farão uma reflexão ótima e imprescindível para suas vidas, caso aceitem o desafio :D
/Alex
/Val
/Handrik
/Alf
/Pchan
/Cilon
/Júnior Anjo

Superada (mais ou menos) a onda de pânico, ela tenta pensar. Tinha que alertar seus pais, o reino, os magos da corte. E é isso que ela decide fazer, naquele exato instante. Logo, porém, ela descobre que sem a sua loquacidade habitual, era difícil ser notada. Seus protestos saiam em forma de piados, de gorjeios que caiam em ouvidos surdos. As pessoas mal lhe notavam. Abanavam a mão para afastá-la, incomodadas com os ruídos que ela fazia, pretendendo chamar-lhes a atenção. Outros a fitavam e comentavam em voz alta: “que pássaro mais estranho”. Desacostumada a ser considerada estranha, aquilo também a magoava. Fora de ser estranha que aquele homem cruel a acusara... Fora por ser diferente que fora punida.
Após muitas tentativas infrutíferas, a Princesa decidiu procurar ouvintes mais atentos em outros lugares. A mente firmemente concentrada naquilo que o seu algoz lhe dissera: “Quando conheceres alguém que deseje ouvir suas idéias, o encanto se quebrará”. Certamente existia alguém assim, em algum lugar. O mundo não era cheio de pessoas superficiais... Não é?
Para a tristeza da princesa, ela constatou que sim, havia muitas pessoas superficiais naquele mundo. Ela pousava nos galhos das árvores e nos beirais das janelas, e tentava se comunicar com os humanos da única maneira que podia – através do seu canto. Infelizmente, ninguém estava interessado no conteúdo, só na forma – e de muitas maneiras tentaram capturá-la, para aprisionar sua música numa gaiola – e mais uma vez, ela se via desejada apenas pela beleza que ostentava e não pelo seu interior. Os dias foram se transformando em meses, e a Princesa estava começando a se cansar daquela batalha vazia – cantar, tentar ser compreendida e fugir sem sucesso algum. Por vezes, quase fora apanhada com visgo e promessas de comida... Isso quando não escapava por pouco de gatos e de aves de rapina. Em todos os lugares, existiam caçadores. Seria mesmo a sua única opção, render-se ao destino ditado por sua forma de pássaro e esquecer tudo o que fazia dela um ser humano? Viver o resto de sua vida sem poder dar voz às suas idéias, vendo seus pensamentos se transformarem em música e então em nada?
O tom depressivo dos seus pensamentos ia lentamente roubando as cores do seu canto e das suas penas. Ela cantava cada vez menos. Ia cada vez mais se tornando um pássaro estranho, suas memórias de princesa humana se diluindo numa seqüência de dias iguais. Certo dia, ela pousou, exausta, num beiral de mármore de uma janela numa torre alta. Cansada, silenciosa e arredia, fitou o espaço lá dentro. Do interior do quarto, sob uma cama de baldaquino, olhos escuros num rosto magro a fitaram com uma curiosidade que já não a surpreendia. Porém, as palavras que se seguiram foram o que captou, realmente, a sua atenção...
“Pobre pássaro... Vc parece tão doente qto eu. Não admira que não queira cantar... A fraqueza é algo que incomoda as pessoas. Por isso elas se afastam. Não fazem idéia de como é preciso ser forte para se admitir fraco...”

E sim, esse é um daqueles posts menores (ou quase) do que a foto em questão...